Miguel Figueiredo | As 9 grandes tendências aos olhos do SxSW 2016
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Inspiração

As 9 grandes tendências aos olhos do SxSW 2016

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Terminou este fim de semana a trigésima edição do SxSW, o festival de Austin, Texas, dedicado à música, cinema e interactividade. Como sempre, foi um festival cheio, tanto em público (mais de 100.000 pessoas) como em conferências, workshops, demos e entrevistas (centenas só sobre o tema da interactividade).

 

Apesar de ser um evento com baixa notoriedade em Portugal, é um dos mais marcantes festivais mundiais anuais onde marketers podem (e devem) ir para alargar horizontes, acompanhar tendências e perceber como a tecnologia e as alterações em comportamento humano irão (provavelmente) afetar a sua indústria num futuro muito próximo.

 

Estar lá e ver quais os temas que geraram maior tração ajuda-nos a perceber: onde estão a ser canalizados os maiores investimentos; que temas despertam maior interesse e entusiasmo; e em que sectores ou atividades podemos esperar as maiores transformações. Daquilo que vi, eis o que esperar:

 

  1. 2016 vai ser um ano de consolidação.

Apesar de se ter falado de diversas novas apps/plataformas de social media, não houve nenhuma que tivesse captado a atenção como “the next big thing”. É por isso de esperar que 2016 não seja uma ano de grande disrupção ou com o aparecimento de novas plataformas onde as marcas possam investir. O que é de esperar é que algumas marcas comecem a fazer experiências e apostas em plataformas existentes mas para as quais ainda não tinham olhado. Snapchat será provavelmente uma delas.

 

  1. VR veio para ficar mas não é em 2016 que massifica

Foi sem dúvida a principal atração do festival. Por todo o lado havia inúmeras experiências de realidade virtual e várias foram as conferências dedicadas ao tema. E de tudo o que se falou e experimentou, uma coisa ficou clara: a tecnologia ainda não está madura o suficiente para massificar. Isto porque a relação entre hardware existente + equipamento de captação dos conteúdos + largura de banda + capacidade de processamento + ferramentas de edição de conteúdos virtuais + expectativas dos utilizadores, ainda não está equilibrada. E por isso é ainda moroso, caro e complexo produzir um conteúdo que satisfaça expectativas. Como tal, é de esperar que os primeiros passos seja dados este ano por quem tem mais a ganhar/investir ou seja, a indústria de jogos. No resto, vão aparecer experiências, mas dificilmente alguma terá poder de tração. Pelo menos para já.

 

  1. Big Data e o math marketing não são uma tendência, são uma realidade.

O nível de avanço na utilização de softwares e webservices que permitem tirar máximo partido da captação de dados é avassalador. Nesse aspecto, as empresas portuguesas, de um modo geral, estão muito atrasadas. É caso para apelar ao sentido de urgência, sobretudo para as que concorrem num plano internacional.

 

  1. IA é incontornável e vai ser a próxima grande disrupção

Falar de Inteligência Artificial conduz inevitavelmente a discussões filosóficas. Mas filosofia à parte, facto é que estão já a ser feitas muitas experiências nesta área e hoje, consegue-se produzir máquinas com capacidades cognitivas equivalentes às de uma criança de 4 anos. Pode parecer pouco mas tendo em conta que estas são máquinas com capacidade de aprendizagem, a sua evolução vai ser exponencial. E isto vai conduzir a uma reestruturação do mercado de trabalho. Funções que tendem a ser medidas em função de produtividade tendencialmente irão ficar para máquinas e os humanos tenderão a concentrar-se em funções criativas ou científicas. Não será para agora mas mentalizem-se: os vossos filhos irão encontrar um mercado de trabalho muito diferente do nosso.

 

  1. Clash of titans – da ficção para a realidade

As fronteiras entre indústrias estão a esbater-se. Consequentemente, empresas que ontem nada tinham em comum, são hoje ferozes concorrentes. Consultoras (ex: Deloitte) lutam com TIs (ex: IBM), que lutam com agências de publicidade (ex: excentricGrey), que lutam com agências de media (ex: Havas media), que lutam com plataformas de media/conteúdos (ex: Impresa), que lutam com plataformas tecnológicas (ex: Facebook) e que em breve vão lutar com a banca (ex: Millennium). O que está a provocar este fenómeno de aglutição tem sido a disrupção tecnológica introduzida pelo grupo dos chamados “Frightful 5” – Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft é de esperar que esta se intensifique e se estenda a mais indústrias.

 

  1. Bitcoin morre

Pode não ser em 2016. Mas não parece ter futuro muito para além deste ano. E a razão é porque o Bitcoin não tem o apoio de nenhuma grande instituição credível. Está entregue à anarquia e na mãos de uma série de arruaceiros com tudo menos boas intenções. E por isso, um sistema que à partida poderia ser totalmente seguro pela filosofia de funcionamento do blockchain, vê a sua credibilidade destruída por uma das características intrínsecas à natureza humana: a procura pela (percepção de) segurança. Afinal de contas, só andam por becos escuros e sem vigilância dois tipos de pessoas: os que não têm alternativa e os que perseguem quem não tem alternativa.

 

  1. A economia do better you

Uma coisa que parece generalizada na geração que chega agora a lugares de decisão, é que está consciente não só que o consumo não induz felicidade, como o sucesso profissional per si, não é o caminho para uma vida preenchida e feliz. Consequentemente, há toda uma procura por estilos de vida mais equilibrados, mais focados e mais saudáveis. E isso está a abrir um mundo de oportunidades que começam a ser explorados aos mais diversos níveis. Este foi um tema amplamente abordado e mais interessante ainda, amplamente procurado, no SxSW.

 

  1. Content creator Vs content curator

Novos equipamentos e novas apps de edição de vídeo e imagem. Vária foram as novidades apresentadas no festival. O binómio harware/software atingiu um ponto de equilíbrio que está a potenciar a criação de conteúdos de qualidade a um ritmo alucinante. Há já muito conteúdo. Talvez demasiado, se é que se pode dizer que os conteúdos alguma vez serão demasiados. Há naturalmente ainda espaço para as várias marcas se afirmarem como produtoras de conteúdos mas começa também a ser cada vez mais pertinente que haja marcas a se afirmarem como curadoras de conteúdos. Selecionar os conteúdos certos numa determinada categoria pode ser A mais valia a entregar. E é um espaço onde há ainda muito por fazer.

 

  1. A luta pela vigilância

Este foi talvez o tema mais quente do festival, devido ao recente caso do FBI Vs Apple e ao qual o Presidente Barack Obama também não escapou de comentar. E a sua intervenção não foi de todo conclusiva. A fricção entre a vigilância corporativa e a vigilância governamental vai continuar a existir e até a agudizar, à medida que os dados sobre o comportamento das pessoas ganham cada vez mais valor, não só na previsão de comportamentos económicos, mas também de comportamentos ameaçadores. Pelo caminho vão ficar os comuns dos mortais e o seu direito à privacidade. Disto não me parece haver escapatória.

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